15 setembro, 2016

#30diasdruídicos: Dia 21 - Vida Consciente


Por muito tempo caminhei nesta Terra sem saber quem era e porque era. Meus olhos estavam sempre voltados para dentro de uma caixa. "Nascer, crescer, se fod** para então morrer. Mas que vida vazia, que existência sem sentido". E assim eu seguia. Sem me importar com nada. Sem perceber o que era e onde estava.
Essa forma de existir é o padrão dos dias atuais. As pessoas caminham pelas ruas com a cara enfiada em seus celulares, tropeçando e esbarrando em qualquer coisa à sua frente, sem desviar os olhos das mensagens do WhatsApp. Elas vão para seus trabalhos, voltam para casa cansadas, se jogam na cama e lá ficam até o próximo dia, para fazer tudo novamente. Alguns, aos finais de semana se jogam em baladas, se entopem de bebidas e drogas para fugir da "chatice de viver" e assim vão levando a vida, com aquele vazio constante, com a eterna sensação de que a vida é nada mais que uma bosta.

Não quero escrever aqui palavras conservadores ou tacar goela abaixo padrões de vida. Mas, este é um assunto que vale a pena refletir. O que as pessoas estão fazendo de suas vidas e como isso afeta os outros?

Quando eu decidi que já era hora de mudar minha perspectiva sobre a vida, foi o momento que minha visão se expandiu para fora daquela caixa. Prestar atenção no aqui e agora, no ambiente, nas pessoas, na minha vida. Na beleza da Natureza. E isso não é papo de hiponga fumadora de maconha, até mesmo porque, por livre e espontânea escolha, não fumo. Mas, abrir a minha visão foi necessário. Observar tudo ao meu redor foi essencial para descobrir que a vida é cheia de possibilidades. E quando minha perspectiva mudou, alguns hábitos também mudaram. Aspectos de minha personalidade mudaram também. Eu costumava ser uma pessoa mesquinha e passava a maior parte do meu tempo reclamando da minha vida, falando mal das pessoas, odiando qualquer um por zero motivos. E confesso, essa mudança foi recente. Até pouco tempo atrás, eu costumava tecer comentários maldosos sobre qualquer pessoa, sem dó. Mas, sabe o que isso significa? Que a minha própria vida estava fadada à uma caixa podre, cheia de amarguras, decepções, raivas, tristezas e melancolias. E quanto mais eu voltava meus olhos para esta caixa imunda, mais eu emanava o que tinha dentro de mim mesma. 

E aqui entra o ponto sobre afetar os outros. O que eu estava fazendo com a minha vida era problema único e exclusivamente meu, enquanto isso afetava somente à mim. Mas, a partir do momento que nossas atitudes atingem outras pessoas, aí é necessário uma mudança, e logo.

E foi o que fiz. Eu me abri para a vida. Eu me rasguei por dentro. Destruí a caixa podre que limitava minha visão e deixei a luz da vida entrar e mostrar outras possibilidades, outros caminhos. Não é um processo fácil, mas é para isto que estamos aqui. E esse processo é basicamente uma troca. Eu abri minha vida para a consciência. E isso me trouxe diversos benefícios. E desta forma, comecei a atingir os outros de forma mais benéfica.

Viver consciente é saber que somos sagrados e que fazemos parte de uma Natureza Sagrada. É entender a importância de tudo que nos rodeia. É ter paciência. É saber que na vida existem diversas dificuldades, mas seja lá o que for, não nos derrubará. É saber que precisamos cuidar do ambiente em que vivemos, de nós mesmos e das outras pessoas. É admirar, amar, venerar, cuidar, observar e aprender com a Natureza. É ser grato por cada conquista e por cada pedra no caminho. É jamais desistir. É chorar, mas depois sorrir, é ter em mente que "o gigante à nossa frente jamais será maior que os Deuses que vivem dentro de nós".
E isso tudo tem muito a ver com a máxima druídica: 
- curar a si mesmo;
- curar a comunidade;
- curar a Terra.

Então, sejamos conscientes com nós mesmos e dessa forma, conscientes com a comunidade e com a Terra. É um processo lento, mas prazeroso. 

~ Jully Boduogena ~

Foto retirada do Google