19 agosto, 2016

#30diasdruídicos: Dia 9 - Ancestrais


Aos meus Ancestrais de Sangue, eu ofereço gratidão pela minha existência. Carrego em meus ossos, carne e sangue um pouco de suas histórias. Cada encontro e desencontro está marcado em minhas células. Se hoje existo, respiro, vivo, é graças à estes. Que geração após geração foi um passo dado até a chegada de meu nascimento. Como eu poderia viver sem honrá-los? Que tipo de ser humano eu seria se eu não fosse grata por tudo que passaram para que hoje aqui eu estivesse? 
É certo que não conheci todos os meus Ancestrais, mas carrego em minha bagagem algumas boas histórias. Minha vózinha mãe de minha mãe,está viva e me conta como meu tataravô, índio xamã, era calmo e bondoso. 
Certa vez ela me escreveu no WhatsApp (sim, ela é super moderninha ♥):

"Seu tataravô por parte da vó Dolor chamava Timótio, sua esposa era Antonia.  Meu vô só trabalhava, semana na firma, domingo e feriado em casa cortando cabelo e barba.  Ele era tão calmo não se ouvia falar um palavrão na boca dele, nem bosta. Ia sempre na missa, todos os domingos,foi pro céu só ele. 
Já o seu tataravô Benjamim, era índio xamã fumava cachimbo. Os pais foram pegos a laço em Minas. A esposa, Jeraldina Maria, era filha do boticário, era dono de farmácia por isso pai Joaquim era mestiço. Eles eram trabalhadores rural,  as terras tinham uma enorme extensão de terra quando demarcaram as terra os besta foram embora cada um para um canto ficaram tudo sem nada. 
Vô Benjamim era rural. Ele foi pego a laço nas matas de Minas, ele e os pais. O Deus do meu vô era Sol e a Lua. Cabelo liso, pele escura. Seu tata nasceu no dia da libertação dos escravos, muito lindo."
- Dona Cida ♥
Minha vózinha ainda criança
Tata Jeraldina e tia Zeti
Minha vó criança,irmão dela,
minha bisa Dolores e meu bisa Joaquim

 Meus Ancestrais de Sangue também são meus Ancestrais de Terra, pois habito o mesmo lugar que eles um dia habitaram. Meus pés pisam a mesma Terra que eles um dia pisaram. Então sou grata duas vezes à eles, pois tenho a honra de carregar em meu sangue o sangue e a história deles e também de respirar o mesmo ar tupiniquim que eles respiraram, certamente bem mais poluído hoje em dia.
No Druidismo, nós cultuamos 3 tipos de Ancestrais, os de Sangue, os de Terra e os de Tradição. Sangue e Terra já ficaram bem claro do que se trata, mas e de tradição?
São os Ancestrais que professaram a mesma fé que nós no passado. Druidas, celtas, bardos, vates que deixaram sua tradição, de uma forma ou de outra, bem viva para hoje possamos tentar segui-la. Aqui eu também encaixaria os Deuses e Espíritos da Natureza (apesar que estes também se enquadram nos ancestrais de terra), enfim.
Mas, percebe que, no meu caso específico, meus Ancestrais de Sangue se enquadram em todas as categorias? Afinal de contas, os Deuses que meu tataravô acreditava também são os meus. A Lua e o Sol também fazem parte do meu panteão de Divindades. Obviamente, são religiões diferentes. Então vamos deixar bem separado aqui: meus ancestrais de sangue não praticaram druidismo, então eles não se enquadram nesse quesito quando falamos de espiritualidade celta, porém, num contexto geral de crenças, já que tanto ele quanto eu, seguia/sigo uma espiritualidade da Terra, então posso dizer que, dependendo do contexto, meus ancestrais de Sangue e Terra, são também de Tradição.

Eu fico extremamente emocionada cada vez que paro para lembrar das histórias de minha família. Sou grata e feliz por ter o prazer de saber de um pouquinho das muitas coisas que esse povo todo do passado fez. Quando olho para trás, vejo o quanto ainda preciso aprender nessa vida. O quanto ainda vou viver, as muitas histórias que eu mesma deixarei. Para, quem sabe, se eu der sorte, eu ser lembrada como Ancestral de alguém. Seria uma honra sem tamanho.
Enfim, aqui fica minha pequena homenagem aos meus amados Ancestrais ♥

~ Jully Basilio (Boduogena) ~