18 agosto, 2016

#30diasdruídicos: Dia 8 - Divindades e Crença




"Três coisas das quais nunca se desviar: seus juramentos, seus Deuses, a Verdade"

"Três coisas impróprias dos Filí: reivindicar como sua a obra feita pelos Deuses por meio deles, exigir recompensas como servo dos Poderosos, e ser sustentados por um trabalho que não foi seu."

"Três coisas essenciais ao conhecimento dos sábios: seus Deuses, eles mesmos, e os enganos do mundo."

Fonte: Uma Coleção de Tríades

Inicio meu oitavo dia com 3 tríades celtas que nos tem muito à ensinar. Pare um pouco e reflita sobre cada uma delas.

Confesso que escrevi, apaguei e reescrevi. Pensei: "Um assunto tão belo, e não sei o que dizer! Afinal de contas, como explicar algo tão sublime que só entende quem experimenta? Eu não tentarei explicar as Divindades, quem sou eu para tal feito? O que temos são fragmentos de informações sobre determinadas divindades, mas defini-las em sua essência? Seria pretensioso de minha parte.

Em meus tempos de cristã, aprendi que o deus bíblico era um ser quase inalcançável, que eu teria um encontro face a face apenas depois de morrer. Na minha vida terrena, teria de me contentar com a fé em algo que não vejo e onde as únicas informações válidas, são as que estão descritas no 'livro sagrado'. Em contrapartida, os pastores diziam que o tal deus estava ali para o que der e vier. Era só pedir que ele faria. Se eu precisasse de um carro, era só ajoelhar e pedir. Se precisasse de uma cura, de uma casa, de um emprego, a mesma coisa. E muitas vezes eu me frustrei. Porque nada disso acontecia. Eu ajoelhava, chorava, implorava e nada acontecia. Nada mudava. A dor da alma não cessava e a sensação de solidão apenas aumentava.
Não estou contando isso para menosprezar o deus dos cristãos, de maneira nenhuma, quero apenas apontar as diferenças. Para muitas pessoas, tudo ali fazia sentido. Mas para mim, não. Eu me sentia muito distante dessa divindade. Eu chamava e não recebia respostas. Para não dizer que nunca senti nada forte, houve um tempo, no começo de meu caminhar na igreja evangélica, eu sentia coisas que não sabia explicar. Eles diziam que era o 'espírito santo', mas hoje tenho minhas dúvidas. Acho que algo mais já me acompanhava naquela época.
O tempo passou e depois de estar no Druidismo, minha experiência com as Divindades foram completamente diferentes. Hoje eu olho a minha volta e posso vê-los agindo. Hoje eu os chamo, e eles aparecem. Se peço respostas, elas vem. Se fecho meus olhos e me conecto com Eles, a conexão é recíproca. Acima de tudo, também aprendi que os Deuses não estão ao nosso serviço e que Eles não são obrigados à nada. Não são objetos de barganha e muito menos agem de acordo com as nossas vaidades. Hoje eu aprendi, de fato, como é relacionar-se com uma Divindade. É necessário uma construção, dia após dia. É necessário 'chamar a atenção' Deles, fazer com que Eles nos reparem. E isso meu querido, não acontece de um dia para o outro. Obviamente, eles agem da forma que Eles acham melhor. E nada é de graça. Os Deuses não estão de pernas arreganhadas para relacionamentos vazios e sem compromisso.
Certa vez, neste artigo aqui, eu contei como a deusa Morrigan me tirou do fundo sombrio de minha alma. Eu estava em cacos por dentro, havia muito tempo, depois de clamar tanto por um alívio à um deus que aparentemente se preocupa mais com seus próprios egos, e ela gentilmente me resgatou. Ela não tinha obrigação alguma de fazer isso, eu sequer pedi ajuda, a única coisa que pedi foi a morte. E ela atendeu. Não da forma que eu esperava, porque o que eu queria era literalmente morrer, mas o que ela fez, foi algo bem além. Aquele dia marcou a morte de sentimentos e dores que não me pertenciam. E ela me deu uma nova chance de sorrir e ver como a vida pode ser agradável. Eu digo que, ela literalmente me salvou da morte. E apesar de ser uma deusa tão associada às sombras e a escuridão, ela foi a luz da minha vida. Ela foi onde nada e nem ninguém foi capaz de ir, e me resgatou em suas asas. Eu me emociono demais ao lembrar daquele dia. Não há nada que eu faça que seja suficiente para agradecer o que ela fez por mim. Por isso me dispus à estar à serviço dEla quando e como Ela quiser.

Enfim, após este pequeno desabafo, minha conclusão é que as Divindades devem ser vivenciadas e não explicadas. A crença? Isso é de cada um. Cada pessoa tem direito de crer ou não da forma que lhe for mais conveniente. Não cabe à mim julgar a forma como cada um crê. A crença também é algo que deve ser vivida. Não sabe como começar? Olhe ao seu redor. Observe o Mar, as estrelas, a lua o sol. Caminhe de pés descalços na terra, observe uma árvore, sinta o pulsar da vida. Feche os olhos, respire fundo, e comece a pensar em alguma divindade. Chame por Eles. Não é tão difícil encontrá-los. Eles estão por toda parte, falando o tempo inteiro, basta aprender a ouvir.

E só para concluir: é bom sempre lembrar que minhas experiências não serão iguais às suas. Cada pessoa tem uma vivência diferente e é extremamente importante respeitá-las. Ninguém é dono da verdade, e não existe uma verdade absoluta sobre nada. Isso é clichê, mas é bom lembrar, já que estamos vivendo em tempos em que a prepotência tem reinado.

~ Jully Basilio (Boduogena) ~