16 agosto, 2016

#30diasdruídicos: Dia 6 - Espaços Sagrados



Os celtas tinham diversos espaços sagrados. Dólmens, bosques, florestas, montes e montanhas, poços, rios, colinas. A Natureza como um todo era sagrada para eles, pois era sua casa e fonte de alimentos e matéria prima. 

Hoje como druidista moderna, infelizmente não possuo um bosque próprio. O que é uma pena, porque seria bem legal. Quem sabe um dia, né? Mas, assim como a maioria dos neopagãos, vivo em uma cidade e, tenho mais contato com o cinza do que com o verde e por um bom tempo eu me perguntava "como me conectar com os Deuses se nem sempre posso estar em contato com a Natureza?". Imagino que muitos se fazem essa pergunta, ainda mais com o verde cada vez mais escasso. Por muito tempo, eu achei que só seria possível me conectar com as divindades se eu estivesse ao ar livre, com os pés na terra ou em cima de uma árvore. Ou ainda, em alguns monumentos megalíticos, como o Stonehenge e o NewGrange - que, sem dúvidas, possuem uma energia muito antiga e poderosa, isso não tem nem o que contestar - e em países onde a fé céltica foi presente, como Irlanda, Escócia, Inglaterra. Mas, na verdade, isso não passa de limitações.

Estar em contato com o mundo natural, ou seja, locais que não foram construídos por mãos humanas, certamente é uma experiência única e essencial para todo aquele que diz praticar alguma espiritualidade ligada à Terra. No entanto, sua experiência com as divindades não se limita a estar nestes locais. Eles são sagrados por natureza, mas e quando você não pode estar nestes lugares? Você simplesmente não pratica sua fé? Não entra em comunhão com os Deuses só porque não há uma árvore próxima de você?

Eu costumo mentalizar que minha casa é o espaço mais sagrados de todos. Minha casa é minha morada, ali eu me alimento e é ali que eu repouso durante a noite. É a minha casa que me acolhe quando estou cansada e me oferece descanso. Minha casa conhece todos os meus segredos, sonhos e angústias. Minha casa me abriga do frio do inverno, das chuvas e raios. Ela também me protege do perigo noturno. Minha casa ampara minha família. É ali que tudo acontece. E é exatamente por isso, que eu devo fazer de tudo por ela. Limpar, energizar, cantar para ela, proteger, amá-la e fazer o possível para a harmonia reinar ali. Porque, uma coisa eu te garanto, se você alimenta sua casa com ódio, desentendimentos, mágoas, rancores, sujeira, tristeza, basicamente é disso que sua casa ficará impregnada. De nada vai adiantar você ir à um belo parque, ficar de pés no chão na terra, abraçar 500 árvores, aplaudir o Sol, e quando chegar na sua casa, tratá-la com indiferença. Tudo que você fizer com sua espiritualidade será em vão se sua casa estiver imersa em caos e sombras.
Você que está lendo pode pensar que tudo isso é uma bobagem. Mas faça um teste. Comece a enxergar que sua casa é sagrada, limpe, defume, viva em harmonia com todos que ali habitam. Essas pequenas coisas fecham qualquer brecha ou portal para coisas/seres desprovidos de luz que queiram entrar ali para se alimentar da sua energia.

Meu lar é o espaço sagrado em que mais entro em contato com meus Deuses. Ali tenho meu altar, meu quarto eu transformei num Nemeton (bosque sagrado) físico. É ali que as divindades se comunicam comigo e eu com elas. Para manter as energias limpinhas, eu sempre defumo com Palo Santo e outros incensos, selo porta e janela, defumo cada canto do quarto. Canto pontos druídicos, evoco meus protetores e etc. 
Mas, obviamente, sempre que posso, estou eu lá enfiada no mato. Cachoeira, trilhas, parques, e principalmente o Mar. Todos esses espaços são sagrados para mim, sem dúvidas. 
Também tenho meu Nemeton pessoal, não físico, que só eu tenho acesso. Eu e toda a galera do Outro Lado. Meu cantinho onde recebo mensagens e ensinamentos. Mas, novamente eu digo, nada dessas coisas funcionariam bem se minha casa não estivesse sendo bem cuidada!

~ Jully Basilio (Boduogena) ~

Foto tirada em Barra do Una, São Sebastião