06 dezembro, 2015

#deusa: Elen - O Espírito da Mãe Natalina - parte 2


Na postagem de hoje resolvi traduzir um texto que achei interessantíssimo. Nele, não fala diretamente sobre Elen, mas eu fiz essa associação por motivos óbvios.
O texto foi retirado do site Gather e tem como título original: "Doe, A Deer, A Female Deer: The Spirit of Mother Christmas".



Corça, Um Cervo, Um Cervo Fêmea: O Espírito da Mãe Natalina

Na antiga religião da natureza (a qual o divino era frequentemente percebido como feminino) foi a Rena quem  reinou suprema como a grande deusa do Solstício de Inverno. Foi quando nós "cristianizamos" as tradições pagãs do inverno, que o "Homem de barba branca", ou seja, o Papai Noel ou Pai Natalino nasceu.
Hoje ele tem Rudolph em sua carruagem e seu trenó com renas voando através de nossos místicos céus e nós temos nos esquecido do poder da Mãe Cervo, a Rena fêmea com galhadas. Mais forte e mais larga que um cervo, ela é quem guia os rebanhos.E é a sua amada imagem que adorna os cartões Natalinos e as decorações de Yule que estamos tão familiarizados hoje em dia. Porque, diferente do macho que perde suas galhadas no inverno, é a Mãe Cervo quem leva o sol doador da vida com segurança pela escuridão do inverno, a noite mais longa, em seus chifres.

Atravessando o Norte, desde o Neolítico, pelas Ilhas Britânicas, Escandinávia, Rússia, a ponte terrestre de Bering Straights e nas Américas, a rena fêmea foi venerada como a "Mãe doadora da vida". Ela era a facilitadora da fertilidade, a anima dos lugares selvagens, florestas e montanhas, o corcel transcendente das fadas e povos mágicos.
Tatuagem de 2500 anos encontrada
na "Princesa de Gelo Siberiana"
Suas galhadas adornaram altares e cabeças de sacerdotisas xamânicas e sua imagem foi gravada em pedras erguidas, tecida em roupas cerimoniais, colocada em jóias e pintada em tambores.
Raramente representada correndo na terra, a rena era vista saltando ou voando através do ar com pescoço estendido e pernas em movimento para frente e para trás. Frequentemente carregando o Cosmos, o Sol, Lua e estrelas em seus chifres, suas galhadas eram a árvore da vida, representando os mundos inferior, mediano e superior(Mar, Terra e Céu*).
A Mãe Cervo também tem sido vista como uma mulher/deusa sentada, usando um "cocar de chifres" no qual está tecida a árvore da vida e o pássaro (emblema do voo xamânico). Esse trio de símbolos são frequentemente repetidos nas imagens de Solstício de Inverno e na arte popular Natalina e ainda estão conosco - embora nós tenhamos claramente esquecido seus significados originais.
Nas lendas siberianas a rena levanta voo a cada inverno depois de ingerir o cogumelo alucinógeno Amanita Muscaria, o arquétipo cogumelo venenoso vermelho com pontos brancos. Os xamãs juntavam-se a eles em uma busca da Visão, pegando os cogumelos e em seguida, escalavam a árvore da vida que eles levantariam voo como um pássaro em outros reinos.
Há teorias que a fantasia do Papai Noel deriva dos xamãs da região do Ártico que se vestiam de trajes vermelhos com manchas brancas, coletavam cogumelos e então os entregava através das chaminés
como presente no Solstício de Inverno. Fala-se sobre uma noite selvagem.
Na Sibéria, mulheres xamãs usavam vestes vermelhas e brancas enfeitadas com pele, "cocares" com chifres(ou chapéus vermelhos de feltro!) e praticavam a tradição do Voo Xamânico. E o mais provável é que suas celebrações de Solstício de Inverno que nos trouxe as histórias de renas voadoras que levam ao céu a noite mais longa do ano.
Rozhanitsa é uma deusa chifruda de inverno da Rússia e no seu dia de festa(durante o Solstício de Inverno) bordados em branco e vermelho representando ela eram exibidos e pequenos biscoitos brancos em forma de cervo eram dados como símbolos de sorte. Saule, a deusa Eslava da luz e da família, voou através dos céus em um trenó puxado por renas fêmeas e jogou pedras de âmbar(simbolizando o Sol) pelas chaminés.

       
Rozhanitsa
Saule

Então, neste Solstício lembre-se de olhar para fora de sua casa quente e aconchegante para o frio da noite escura. Lembre-se da esquecida Deusa do Inverno dos antigos e suas renas mágicas. E na noite sagrada que o Sol renasce, olhe para a Mãe Nataline esperando silenciosamente como um cervo no templo da natureza, carregando um pássaro em suas galhadas.

* Mar, Terra e Céu, referência que eu mesma inclui no texto


Minhas Considerações:

Após a leitura desse texto ficou extremamente clara para mim a associação com a deusa Elen. No texto anterior (que vc pode ler aqui)  eu mostrei algumas associações feitas à ela, e dentre estas encontra-se principalmente as renas. Essa associação foi feita por 2 motivos: Elen é uma deusa de Caminhos, ela guarda os viajantes e guia aqueles que transitam entre trilhas. Suas estradas são conhecidas por, no passado, ser o trajeto de renas. Elen também é associada com as renas, pois, as renas são as únicas cervidaes fêmeas que possuem galhadas - e, inclusive - não as perde no inverno, com já foi falado.
Sendo assim, como temos poucas informações a respeito de Elen e nenhum relato antigo de tipos de cultos ou rituais prestados a Ela, pode-se fazer uma adaptação com base nas informações que temos a respeito da "Mãe Cervo", descrita por Danielle Olson no texto acima.
E por que não aproveitar este Natal para entrar no clima da Deusa Rena? Mesmo que estejamos no Hemisfério Sul e aqui estamos em época de Solstício de Verão, o mundo inteiro está em clima de Natal, então, podemos muito bem comemorar o Soltício de Verão com suas devidas deidades e simbolismos mas também aproveitar a ocasião do Natal para honrar a querida Mãe Cervo, Senhora das Renas, aquela que guia entre os caminhos escuros trazendo luz aos viajantes!

Espero que tenham gostado, desculpem-me pela tradução mais ou menos, mas este texto me trouxe uma nova perspectiva do Natal e me inspirou a celebrá-lo, mas com enfoque na minha querida Elen.
Fiquem a vontade para compartilhar e fiquem de olho que mais textos sobre ela virão.
Feliz Solstício à todos e um feliz Natal iluminado pela Senhora Rena!



Fonte: 
Doe, A Deer, A Female Deer: The Spirit of Mother Christmas