17 junho, 2014

#religião: Tribo e Terra

O texto de hoje será baseado nos meus estudos sobre o texto "Tribo e Terra - Religião: parte I(escrito por Wallace)"

A natureza e a filosofia ética: 
Existe uma frase do cronista grego Estrabão que contêm 2 termos que definem resumidamente toda a filosofia do Druidismo:
'Druidas, que, junto ao estudo da natureza, também da filosofia ética se ocupam.'

O Estudo da Natureza e a Ética é o principio para que possamos estudar e entender a cultura dos celtas. Os antigos Druidas eram grandes sábios, filósofos, juízes, historiadores, sacerdotes, curandeiros..., ou seja, eram as pessoas responsáveis por estabelecer a base intelectual da sociedade, eram grandes mestres que através destes dois elementos, Estudo da natureza e Ética, buscavam manter a união entre a Terra  e a Tribo.
Bom, isso explica de maneira resumida o porquê, nós seguidores do Druidismo temos essa ligação forte com o mundo natural, simplesmente porque é a base de toda nossa crença.
A natureza é vida e nos dá vida. O que seria de nós, por exemplo, sem a água e sem o oxigênio produzido pelas árvores? Este é um exemplo simples de que, nós humanos não viveríamos um dia na Terra se não fosse pelo que ela nos oferece, porém, a Terra continuará intacta sem nós.

Rei Ambicatus e sua atitude ética com a Terra:
Ambicatus era o grande rei de toda a Keltia (ou Céltica, que segundo a Wikipédia, foi o primeiro nome dado a todo o noroeste da Europa continental),  e durante o seu reinado a tribo prosperou muito. Porém, enquanto a riqueza aumentava,  recursos naturais se esgotavam. O povo se multiplicou e cada vez os recursos eram mais utilizados a ponto de se tornar inviável que aquela multidão continuasse ali, pois, certamente chegaria o momento em que todos morreriam por falta de suprimentos. 
Pensando nisso, Ambicatus se reuniu com seus sábios(druidas) e decidiram repartir seu povo em 3 partes. Uma parte permaneceu com Ambicatus na Keltia, as outras duas partes do povo partiram com os sobrinhos de Ambicatus (Bellouesus e Segouesus) para exploração de novas terras, ao sul e ao leste. E desta forma o equilíbrio foi restaurado.
Baseado no Ad Urbe Condicta, de Lívio 

Essa história hoje se repete, aliás, continua. O mundo está super populado, quase não nos resta ar para respirar de tanta gente habitando o mesmo planeta. Os nossos recursos naturais estão sendo explorados ao máximo e o momento da escassez chegará. O grande problema hoje é que não há mais para onde correr. Não há terras novas para serem descobertas e exploradas, o ser humano está sugando a Terra sem piedade e sem consciência de que um dia poderá acabar. Porém, mesmo que acabem os recursos, a Terra continuará aqui. Sugada, explorada, nua, porém continuará aqui e irá se adaptar às mudanças. Mas e quanto a nós?   

Tailtiu, a própria Terra
Em uma antiga Irlanda dos tempos dos mitos celtas, viveu a última rainha dos Fir Bolg, Tailtiu. Esta era a senhora das terras de Tailteen, onde, em tempos remotos, havia uma grandiosa floresta. Tailtiu se tornou mãe adotiva daquele que seria o grandioso Lugh Lamhfada, o Senhor das Muitas Artes.
Tailtiu, com a intenção de oferecer uma planície para cultivo ao seu filho e povo, decidiu derrubar sua floresta. Porém, não resistiu aos grandes esforços para este feito e acabou morrendo.
Lugh, então, estabeleceu naquela data e local, os jogos e assembleias fúnebres de sua mãe adotiva. Hoje, os jogos são lembrados pelo nome de Lughnasad, mas foram instituídos em nome do sacrifício da mãe, Terra.
Baseado na Segunda Batalha de Moytura 

A Terra, nossa mãe, que sacrifica sua natureza selvagem para nos proporcionar uma terra de cultivo. Como não ser agradecida a ela? 
Há um grande sentido por trás desta história: a Terra deve ser honrada e respeitada, deve ser vista como uma Provedora e não apenas como fonte de recursos a serem extraídos com ganancia e sem ao menos dizer um "obrigado". 
Alguns mitos antigos nos ensinam buscar um equilíbrio, respeitando os ciclos da natureza  para que não quebremos a trégua conquistada pelos Thuata de Dannan com os Fomorian e seu rei, Bréas.
Basicamente, após a batalha de Moytura e a vitória do povo de Danu, o rei Bréas foi capturado e este ofereceu à eles 4 colheitas anuais. Porém, Lugh, senhor dos de Dannan, recusou a oferta e pediu somente para que Bréas revelasse as épocas adequadas para o semear e a colheita(mas está história será contada com mais detalhes e analisada melhor futuramente). 
Ou seja, com a proposta de Bréas, o povo ia apenas receber as colheitas, sem o mínimo esforço, sem retribuição, iam apenas se aproveitar do que estava sendo oferecido à eles e com o tempo viria a escassez. 
Com a proposta de Lugh,  respeitando os ciclos da Terra, o povo ia plantar, cultivar e colher. Tudo a seu tempo. Sem abusar da terra, e, desta forma, mantendo o equilíbrio natural e a trégua com os seres hostis da natureza.
Mas, analisando friamente, qual das duas situações está ocorrendo hoje?
Simples: basta observar os tempos atuais. Com tanto desequilíbrio, estamos tendo verões cada vez mais quentes, invernos cada vez mais intensos, tempestades cada vez mais devastadoras, enchentes, terremotos, furacões, tsunamis e etc. Nossa sociedade mundial atual resolveu quebrar o acordo de Lugh e aceitar a proposta de Bréas.

Bom, já escrevi demais por hoje. Este foi um pouco do meu estudo e análises pessoais sobre este assunto. 
Para finalizar, deixo um texto de inspiração abaixo:

A parte da terra, essa é o corpo para o homem; 
A parte do mar, essa é o sangue para o homem;
A parte do sol, é seu rosto e sua compostura;
A parte das nuvens, é a mente para o homem;
A parte do vento, a respiração para o homem;
A parte das pedras, seus ossos;
A parte do espírito santo, sua alma;
A parte que foi feita da luz do mundo, essa é sua devoção. 
Do Códice Clarend



~~* Jully Basilio *~~